sexta-feira, 17 de julho de 2009

Escrever Música

Depois de um tempo distante do blog, estou de volta a pedidos, e assim espera-se que seja por um bom tempo. Alguns motivos até justificáveis para que esse “aprendiz de escriba” tivesse certo afastamento desse digníssimo blog, que tentarei elencá-los a vocês meus leitores fiéis. Quando pensei em criar um blog, para juntar tudo o que escrevo e torná-lo de certa maneira público, achei muito bacana a idéia de anexar a isso tudo a tecnologia, no caso a internet, ferramenta interessantíssima para divulgar tal ato. Mas à medida que fui postando meus escritos, percebia pouca freqüência de leitores, ou não tinha verdadeira noção de quantas pessoas me liam. Dessa forma passei a ter interesse pelas opiniões e comentários de meus nobres leitores, justamente para checar a audiência que o blog alcançava. Relacionado à tecnologia acima referida, e podendo traçar até um paradoxo recorro à época que comecei a escrever, rabiscando papéis e acondicionando em uma pasta de papel, que com o tempo foi descascando deteriorando-se de tanto ser manuseada.
E como gancho, hoje vamos falar justamente sobre escrever, escrever música.
Quando ouvi pela primeira vez “Vento no Litoral” parei e pensei comigo mesmo: Perfeita! Música perfeita para embalar uma paixonite que estava vivenciando na ocasião, uma paixão que está prestes a arrumar as malas e ir embora e/ou simplesmente curar essa fossa. Lembro-me como se fosse hoje, meu irmão ouvindo Legião Urbana em seu gravador de fitas cassete no seu quarto. Acredito que essa foi a primeira vez que parei mesmo para acompanhar uma letra de música e identificar-me bastante pela sua escrita, isso nos meus dezessetes anos, transformando o meu fascínio a partir daí pelos versos musicais.
Daí começou minha paixão pelas escritas musicais, principalmente aquelas que tinham algo a me dizer, que carregavam poesias e sentimentos, transparecendo o que eu gostaria de ouvir, nas suas linhas e entrelinhas, dignas de uma boa interpretação e critica mais apurada.
Os que escrevem músicas são configurados como compositores, em minha opinião são os nossos poetas musicais, mas é bom frisar, você mesmo querido leitor sublinhar por ai ou colocar em letras garrafais, aqueles que fazem boas músicas ta certo?
Renato Manfredini Junior ou Renato Russo, vocalista integrante da banda Legião Urbana, falecido em Outubro de 2006, Vítima da Aids, é o autor da música citada acima, que além dessa, teceu versos de maneira magnífica.
Só pra lembrar, quem nunca viveu e se identificou com a paixão adolescente de “Eduardo e Mônica” que tratava das relações e diferenças entre um casal, enquanto Eduardo ainda estava nas aulinhas de inglês, a Mônica fazia Medicina e falava alemão, o Eduardo gostava de novela e jogava futebol de botão com seu avô, ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação.
A canção “Que País é esse” foi um rock que questionava denunciando as mazelas da nossa sociedade brasileira.
E para citar mais uma, dentre suas inúmeras composições, “O Teatro dos Vampiros” começa com uma dúvida, uma hipótese, um momento de reflexão: “Sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou só sei do que não gosto”, que no decorrer da mesma são vivenciadas confissões, medos e fugas: “esse é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante, e a primeira vez é sempre a última chance (...), esquecer dessa noite tendo um lugar legal pra ir”.
Não desmerecendo tantos outros bons compositores brasileiros, Renato Russo fez parte e ainda faz de uma imensa geração e o tenho como referencial. Ao ligar o som, e tocar Legião, recordo de músicas que embalaram a minha adolescência e seguem na minha vida atual. Afinal, como diz o dito popular, “Recordar é Viver.”
Termino aqui com a máxima do Renato que declarou que “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”.
Até mais!